domingo, 11 de fevereiro de 2007

"QUANDO UM NÃO QUER, DOIS NÃO BRIGAM"

Gosto de prestar atenção na verdade contida por traz dos ditos populares. Para além da sua legitimidade, a sabedoria popular costuma ser boa conselheira e apesar disso poucos prestam atenção ao seu sentido ou à sua significância, muitas vezes, filosófica. Uma dessas máximas que escolhi para refletir com você, caro leitor e leitora é a respeito das brigas e discussões nas quais nos envolvemos em nosso dia a dia e baseado nesta reflexão, afirmo com convicção que muitas destes entreveros e conflitos poderiam ser evitados.

Primeiro é importante estabelecer outra realidade: temos imensa dificuldade de abrir mão de nossas posições e opiniões. Por orgulho, por vaidade (ou pelos dois), insistimos em uma discussão que fácil, fácil, se transforma numa briga que pode levar aos caminhos do confronto e da dissolução nem sempre desejados. Pode ser também por causa de uma outra dificuldade que não é menor: também não conseguimos perdoar facilmente ou pior: em muitos casos perdoamos apenas superficialmente. Explico: nosso esforço para fingir o perdão é maior do que o desejo real de perdoar. Quer uma prova disso? Perdoamos, mas ficamos remoendo o assunto por um tempo imenso na mente, alternando o pensamento entre: "mas como fulano pode fazer isso comigo?" Ou ainda: "perdoei , mas daqui para a frente as coisas serão diferentes". Ou seja, é o perdão com o "pé atrás". Outro exemplo que confirma o falso perdão é que em qualquer pequena briga ou discussão sempre ressuscitamos as faltas anteriores do outro e que já havíamos "perdoado". Sem dúvida, isso dificulta muito as coisas, pois, de forma geral, somos especialistas e temos grande facilidade em reavivar questões mal resolvidas.

Uma briga tem diversas fases e apesar da nossa tendência de querer ir adiante, sempre se existe a opção e a possibilidade de não permitir que se agigante e interromper seu avanço em qualquer dos estágios. Quando uma discussão é iniciada, os dois lados dela, preocupam-se mais em estabelecer suas posições e ao contrário do que seria ideal, firmar sua opinião como verdadeira. Nesse momento, nossa capacidade de ouvir o outro é tremendamente diminuída, pois precisamos convencer nosso oponente de que nós "estamos certos".

Outro ponto curioso é que as culturas vendem a idéia de que em uma discussão, alguém tem que "vencer", fazendo de uma simples conversa uma disputa ou competição acirrada que pressupõe que, se deve haver um perdedor, que seja o outro. Quando um lado esforça-se em impor sua vitória, os dois perdem. "Capicce?".

Nem sempre exercitamos a diplomacia, ou seja: a capacidade de sermos assertivos e mesmo quando contrariados, entender e respeitar o ponto de vista do outro, desenvolvendo nossa argumentação sem com isso ferir o outro. Outra questão comum aos relacionamentos e mais evidente entre os casais é que a intimidade existente entre duas pessoas, acaba por financiar o pouco cuidado que se passa a ter. Pensamos que podemos dizer "qualquer coisa", de qualquer jeito que o outro vai entender. A intimidade deve existir, mas ela não pode fazer desaparecer o respeito necessário à saudável manutenção de todo relacionamento.

Por isso numa discussão:

· Se você tem a razão sobre a questão mantenha a serenidade;
· Se for contrariado, construa a defesa do seu ponto de vista sem agredir o outro;
· Não transforme um debate de idéias numa briga entre pessoas;
· Reflita sobre o motivo da discussão e analise se de fato vale o desgaste;
· Considere rever ou até renunciar ao seu ponto de vista;
· Brinque mais e não seja tão sisudo.
· Viva de forma descontraída;
· Considere transferir a discussão para outra hora e até outro dia;
· Caso seja muito difícil argumentar, pense em parar de falar, pois...
· Acredite: "quando um não quer, dois não brigam". Pense nisso e até a próxima

Antônio Carlos Rodrigues

Nenhum comentário: