domingo, 25 de fevereiro de 2007

PARA LER NUM DOMINGO DE CARNAVAL...

Na última sexta feira, fiquei me perguntando se num dia como hoje (domingo), quando muitas pessoas estão de forma geral fora de suas rotinas, se meu artigo seria lido... Por incrível que pareça, pensar em tal situação, fez minha fonte de inspiração fraquejar e demorei muito, pensando no que escrever e acredite, já estamos, eu e você, há algumas linhas de texto juntos e eu ainda não desenvolvi um tema que (como costuma acontecer) escrevo do começo ao fim "quase sem parar para respirar". Enfim...

Falando de atitude, postura e comportamento, já escrevi sobre motivação, liderança, empreendedorismo, entusiasmo, organização, emprego e empregabilidade, comprometimento, vida executiva e corporativa, relacionamentos de uma forma geral... De fato, escrevi sobre muitas coisas e já dividi com meus amigos leitores e leitoras, muitas de minhas inquietações, nesta investigação pessoal que a cada domingo compartilho com o público leitor de OPOVO.

Pois bem, foi nesta hora que me perguntei: O que me motiva a escrever? O que me faz querer expressar minhas idéias para além do espelho? Após mentalizar (mais estes) questionamentos, pensei: Quero melhorar o mundo ! Você pode até pensar que fiquei louco, que, como dizem "pirei o cabeção"... Mas afirmo de forma convicta, antes que você imagine que estou me agarrando a uma utopia... Aliás, não gosto desta palavra, que parece ter sido criada para bloquear e impedir que coisas boas possam ser pensadas como possíveis.

Já parou para pensar que muitas coisas que requerem grande responsabilidade e que dependem essencialmente de nós, temos a incrível mania de transferir para os outros. É verdade! Por exemplo, melhorar o mundo: por que não acreditar termos este poder (e essa responsabilidade), porque sempre acreditamos que este desafio não depende de nós, mas sim de muita gente que esta a nossa volta e em todo este (sofrido) planeta. Vamos ser francos, é mais fácil pensar que é impossível, porque assim não temos que nos esforçar e podemos continuar na nossa zona de acomodação e conforto.

Quer um exemplo (que alguns podem se achar estão cansados de ouvir falar, mas eu não): o caso de João Hélio o menino de seis anos de idade morto de forma estúpida e que tem servido de inspiração para mudanças "urgentes" em nossa legislação criminal, principalmente no que diz respeito aos menores criminosos, pois bem: certas leis que agora são discutidas e rediscutidas às pressas estão há mais de dez anos engavetadas na burocracia, na lentidão e desinteresse dos nossos legisladores. Isso mostra que como seres humanos como somos "oportunistas" e sensíveis apenas ao que é imediato. Posso ter exagerado no exemplo, mas reflita comigo: por que temos que agir apenas após as tragédias acontecerem?

Exatamente por isso, acredito (e detesto admitir) que o desenvolvimento (seja ele individual ou coletivo) parece ser decorrente sempre de certas tragédias pessoais ou da sociedade, que nos estimulam a pensar e agir de forma diferente.

Quando disse melhorar o mundo, não estou tendo devaneios ou complexos megalomaníacos. Estou falando do mundo que me cerca, do mundo que eu posso sentir e tocar, do meu habitat, onde em meu dia a dia, sofro minhas pequenas angústias e preocupações, mas, onde também, com certeza, desfruto das minhas grandes alegrias e imensas satisfações. É deste mundo que falo e acredite se conseguir mudar este pequeno mundo, já me darei por satisfeito, pois, sei que este, eu posso e consigo mudar. E é este convite que faço a você: que tal deixar de acreditar em utopia e crer que pode melhorar o mundo de verdade? Comece pelo seu mundo e verá o quanto somos todos poderosos, descobrindo que as utopias são meramente bloqueios criados a alimentados por nós.

Respeite, ame, sinta, perdoe, brinque, ria, admire, viaje, ouse, role na areia, ande descalço, beije abrace, termine, comece e recomece, mas acima de tudo, se reinvente. O que te motiva? Pense nisso, até a próxima e obrigado por dividir seu tempo comigo!
Antônio Carlos Rodrigues

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