sábado, 19 de março de 2005

CALMOS DEMAIS X APRESSADOS CRÔNICOS

Entre as diversas características que nos definem, considero que duas em especial são bastante marcantes: são elas a velocidade e ritmo. E são marcantes porque transmitem muitas percepções a quem quer que nos observe. Demonstram como um pouco do que somos, pois dentro do nosso dia a dia, o relacionamento e a forma como nos comportamos com pessoas e assuntos, diz muito de nós. Além disso, o fator tempo (precioso que é) consegue em muitos casos ser uma determinante para quase tudo que acontece a nossa volta.

Daí a importância que se deve atribuir ao ritmo e velocidade com as quais lidamos com o universo que nos cerca. Você é uma pessoa calma ou seria mais adequado dizer que é agitada? Qual é a sua velocidade? Pense nas pessoas que conhece e tente atribuir a elas a escala abaixo:

- EXCESSIVAMENTE TRANQÜILO
- MUITO TRANQÜILO
- TRANQÜILO
- NEUTRO
- APRESSADO
- MUITO APRESSADO
- APRESSADO CRÔNICO

Vale lembrar que esta divisão e classificação não são frutos de nenhum estudo com qualquer aprofundamento científico. São apenas elementos que servem ao propósito desta discussão. Mas, voltando ao tema vale considerar que podemos, em momentos e situações diferentes, ocupar esta ou aquela posição na escala acima e é essencialmente nesse ponto que quero focar o debate.

Conheço pessoas que são “excessivamente tranqüilas”. Levam a vida como se vivessem numa redoma, onde nada as atinge ou altera seu ânimo e estado de espírito. E, como todo excesso é de alguma forma prejudicial, essa eterna calma, também tem seu lado ruim. O mundo pode estar desabando e pessoas assim podem custar a perceber o caos a sua volta.

Por outro lado, conheço igualmente pessoas que são “apressados crônicos” com um crítico senso de urgência para tudo. Estão demasiadamente apressados e a todo instante vivem agitados e sob constante pressão. Mesmo que esta “pressão” seja em alguns casos apenas força do hábito. Este comportamento faz tanto mal quanto levar a vida em “câmara lenta”. Pessoas assim escolhem viver sob tensão.

Caso nosso comportamento se situe em um ou outro extremo, tendemos a perder a sensibilidade para ajustar nosso ritmo ao tempo das coisas. E é essa mesma sensibilidade que nos permite acelerar ou desacelerar nas atitudes, ações e reações necessárias.

Curioso é quando duas pessoas, uma muito calma e outra muito apressada precisam uma da outra. O conflito é quase certo, pois ambas tem uma visão diferente quanto às prioridades de cada questão. Para uma o tempo será sempre suficiente e para outra o tempo estará sempre no limite.

O ideal é mantermos uma visão crítica sobre cada situação e circunstância, já que como se viu, não será interessante ou adequado manter o mesmo ritmo sempre. Qualquer que seja a sua velocidade vale considerar que de vez em quando ela necessitará ser ajustada, para que não se corra o risco de impor a pressa e a pressão desnecessárias, ou ainda que manter uma atuação lenta demais, na maioria das vezes destoante em relação às urgências e necessidades.

É claro que escrever ou falar sobre o que é ideal é sempre mais fácil do que viver qualquer situação, mas ainda assim, devemos reconhecer que como tudo, essa também é uma questão de disciplina. Pense nisso (sem pressa) e até a próxima.

Antônio Carlos Rodrigues

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