domingo, 2 de janeiro de 2005

A IMPORTÂNCIA DE DISCORDAR

Eu discordo, tu discordas, ele discorda, nós discordamos, vós discordais, eles discordam... Muito mais do que a mera conjugação de um verbo de ação, o ato de discordar sempre teve, tem e terá grande influência direta e indireta em nossas vidas e em nosso dia a dia, seja individual ou coletivamente e explico: São as discordâncias que fazem com que as pessoas entrem em debate e discussão, originando a necessidade de se encontrar um ponto comum que atenda aos anseios das duas partes. Ou no mínimo da parte com maior poder de argumentação e convencimento.

O ato de discordar pode ser saudável ou não. Tudo depende da qualidade tanto da concordância, quanto da discordância. Isso que dizer que se por um lado, nem sempre podemos concordar com tudo, por outro, é certo que não podemos discordar de tudo. Corremos o risco de ser omissos e pouco participar das coisas que acontecem a nossa volta ou de ser implicantes e não concordar com nada, não permitindo que as coisas simplesmente “fluam”.

Quando discordamos de alguém, de alguma situação ou circunstância é importante termos em mente de forma clara e inequívoca a causa desta discordância. Ela deve estar fundamentada em argumentos que sustentem e dêem sentido ao ato de discordar. Tão importante quanto discordar é saber o que nos motiva a pensar diferente e destoante do outro. Mesmo quando a decisão, escolha ou opção apresentada é a melhor alternativa é comum que alguém discorde apenas por implicância desta pessoa, com aquela que apresentou a idéia. Ou seja, uma discordância que tende a ser apenas pessoal e sem sentido. Neste caso, todos perdem e as decisões demoram a ser tomadas, ou acabam sendo contrárias ao que seria melhor para a maioria.

Mesmo assim, concordo plenamente com o sábio escritor e por que não dizer filósofo Nelson Rodrigues quando declarou: “Toda unanimidade é burra”. Afinal, num ambiente onde todos concordam, poucos crescem e aprendem e ninguém se desenvolve. Por isso mesmo, a discordância tem essa face positiva: a de ser o fio condutor de pessoas e das coletividades ao que deva ser o melhor para elas. Tente imagina um mundo apenas de concordância... Difícil, não é mesmo? Isso porque discordar e questionar está em nossa cultura, está em nosso comportamento.

Por isso reflita em como têm sido as suas concordâncias e discordâncias. Tente ser mais responsável quando disser: “Eu concordo” ou “Eu discordo”. Afinal, destas afirmações, podem decorrer fatos que definem muito mais que meramente seu ponto de vista. Analise inclusive, quando vale mais a pena concordar do que discordar, apenas pra fazer valer seu ponto de vista a qualquer custo. Já vi pessoas discutirem de forma acalorada e até nervosa por questões tão sem sentido, quanto à insistência em “fincar o pé” o seu ponto de vista por orgulho ou vaidade de poder afirmar para si próprio (e para o outro) que estava com a razão. Em situações assim pense comigo: Quem ganha de fato?

Enfim, pense em discordar das coisas que não quer e não aceita para si. Pense em mudar as coisas à sua volta primeiro discordando de como elas estão. Quem saber assim, você não começa A construir desde já um 2005 melhor e mais produtivo. Não esqueça de se manter com o espírito altivo, agradecendo até mesmo suas pequenas conquistas. Pense nisso, e TENHA UM FELIZ ANO NOVO!

Antônio Carlos Rodrigues

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