domingo, 14 de janeiro de 2007

ESCRAVOS DO SUCESSO...

Quem não quer ter sucesso? Em sã consciência todos responderemos quase que automaticamente de forma positiva a essa pergunta. Claro que queremos! E queremos até demais... Explico: ao longo dos séculos, o significado da palavra sucesso sempre foi transmitido, década a década, geração a geração, de uma forma um tanto deturpada e equivocada até, contendo uma forte carga de "frenética" avidez e ansiedade.

Deturpada porque o sucesso é transmitido como se pudesse ser adquirido em "mágicas porções milagrosas" que tudo resolvem, bastando que para isso mudemos uma série de atitudes e "muito" do nosso modo de vida. Na prática é quase como se tivéssemos que "nascer de novo". Venhamos e convenhamos: se pequenas mudanças já não são fáceis de aplicar, quem dirá querermos imprimir um nível de mudanças quase impossível de cumprir?

Equivocada porque o sucesso é transmitido como o final de um processo. Ou seja: se fizermos isso, se agirmos assim, se tivermos esta ou aquela condição, se conquistarmos esse ou aquele patrimônio, se atingirmos um determinado nível sócio econômico, enfim... Tudo numa frustrante e infinita espiral do "SE", colocando os resultados de nossos intentos, subordinados exclusivamente a resultados positivos.

Ambas situações por si só desestimulantes. Afinal, se a jornada pelo sucesso nos cobra de partida uma série de pré-requisitos, que discriminem a maioria dos candidatos a receber as glórias e os louros do êxito, onde fica o espaço para a ousadia, a criatividade, a persistência, a coragem e a determinação? Por quê não posso acreditar que hoje mesmo sou uma pessoa de sucesso? Por quê o sucesso como é vendido hoje, parece mais um filme de ficção, sempre distante da realidade e da imensa maioria dos mortais?

Quem não se lembra (aliás, quem é consegue esquecer) da forte campanha publicitária do cigarro " HOLLYWOOD O SUCESSO" onde por anos e anos mostrava o exato reflexo do que muitos acreditam ser o sucesso: Carros, lanchas, aventura, emoção e uma vida que não lembra a mínima dificuldade. Hoje, os cigarros já não fazem mais propaganda na TV, mas não importa o produto. Afinal, tudo que o cigarro mostrava você também vê numa propaganda de creme dental.

Dessa forma, vale a pena pararmos para refletir de forma sincera e efetiva sobre o que pensamos e acreditamos ser o sucesso. Você já não estaria escravo do sucesso? Reflita sobre suas prioridades e perceba se sua busca pelo que considera ser sucesso não está também equivocada. Sucesso exterior patrocinado apenas pela posse temporária de patrimônio e status é passageiro e não garante a felicidade de ninguém.

Agora, o sucesso que nos permita agir com ética e combinar a um só tempo: perseverança e serenidade, disciplina e comprometimento, ética e respeito em relação à vida e ao próximo, este sim são elementos, que garanto: qualquer que seja nossa condição financeira ou social, seremos pessoas de muito sucesso e este já não será um objetivo final e sim o próprio caminho. Ter um pouco mais de paciência, só faz bem! Pense nisso e até a próxima.

Antônio Carlos Rodrigues

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